“O Tinho é peça fundamental na história da arte urbana brasileira.”

Herbert Baglione

 

“Nós conhecemos o Tinho em 1989 na zona norte, onde nós estávamos pintando um graffiti e ele chegou e se apresentou.  Informação naquele tempo era muito escassa, então com essa amizade trocamos o pouco que conhecimento que tínhamos na época. Desde então nos tornamos amigos e fomos dividindo informações, pintando juntos. Tinho sempre foi um visionário, um artista único, que retrata o cotidiano, sua vivência nas grandes cidades, questionando diferenças sociais, retratando e filtrando esse acúmulo de informações e diferenças que fazem parte de uma cidade fora do controle, como por exemplo São Paulo.”

OsGemeos

 

“Tinho consegue ultrapassar os limites de sua origem pictórica no muralismo urbano contemporâneo para o universo da pluralidade dos suportes da pintura e do objeto. Sem perder o domínio harmônico da vibração cromática seduz e expressa sua origem sensível às questões sociais por meio de uma linguagem universal.  Sua obra, coerente com sua própria história, reúne ainda a simplicidade da expressão popular e a complexidade singular de uma ampla abordagem poética.”

Xico Chaves

 

“Conheci o Tinho pintando uma parede e a partir daí nunca mais deixamos de trocar ideia, nos ajudar e nos completar. Foram muitas histórias, experiências fantásticas e sou muito grato em ter feito parte da jornada desse artista e amigo que admiro até hoje.”

Binho

“As características do Tinho que eu mais gosto são autenticidade e poesia. Apesar dele ter vindo de uma transição de experiências ou mesmo de telas que são muito específicas como o Mar de discos, ou por mais que ele aborde qualquer tema desde os carros acidentados, que podem ser ou não herméticos, ele tem uma poesia que é universal. Um drama e uma poesia que atingem a todos. Isso é muito difícil de ser conseguido porque essa autenticidade vem da alma da pessoa, de saber o que quer, quem é, de estar bem consigo mesma, isso se reflete no trabalho dele.“

Speto

 

“Conheci o Tinho através do Binho logo que comecei a fazer graffiti e me identifiquei de cara com o que ele já fazia na época. Lembro que um dia o Binho me falou: “o Tinho é diferente, ele tem o mundo dele, está focado em produzir arte não só graffiti”, isso me aproximou mais das artes plásticas, mudou o rumo das minhas criações.”

Toz

“Sobre o Tinho só posso falar bem. Além de ter uma obra dele na minha coleção, com força de pintura pensada, participei a convite dele de um evento de pintura de rua onde aprendi muito e pude ver de perto a incrível aventura de pintar montado em guindastes e transformar o espaço urbano numa coisa, às vezes lúdica e às vezes grave, como um susto de ver imagens em lugares impensados. E como diz o poeta Manoel de Barros: “Imagens são palavras que nos faltaram."

Carlos Vergara

Sobre Os 7 mares

os sete mares

Sobre Os desdobramentos

desdobramentos

Sobre Os bonecos de pano

os bonecos de pano

Os 7 mares da pintura

 

Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Platão. A República. Livro VII.

 

Quando Édouard Manet visitou o Rio de Janeiro em 1849, ninguém poderia imaginar que a arte inventaria tantas tendências e movimentos, dividindo realidade figurativa e abstração; que o mundo se comunicaria em tempo real e que a pintura seria o ponto de partida para a fotografia, o cinema, o vídeo e as redes mundiais de computadores. E que, exatos 170 anos depois, na mesma cidade, estaríamos rediscutindo a pintura através de um artista para o qual as fronteiras territoriais não existem mais. É o caso de Walter Tada Nomura - Tinho, e os 7 Mares, no Paço Imperial.

Da “Alegoria da Caverna” de Platão (380 a.C.) ao princípio da câmara escura (1554), às invenções do livro (Pi Sheng em 1405 e Gutemberg em 1455), à litografia (1796), à fotografia (de Angelo Sala à Joseph Niépce, entre 1604 e 1826), até que Hércules Florence, francês radicado no Brasil cunhasse o termo “photographie”, quando chegamos ao cinema (do cinetoscópio de Thomas Edison ao cinematógrafo dos irmãos Lumière, 1891 à 1895) e, finalmente, à rede mundial de computadores - Internet - por volta de 1980.

Entre luz, eletricidade e telepatia, deixamos para trás o tempo lento das comunicações para falar em tempo real entre 8,7 bilhões de habitantes no Planeta. Dentre todas as invenções, a afirmação do psicólogo Hugo Mustemberg, um dos primeiros teóricos do cinema, já negava, em 1916, a possibilidade do efeito do movimento produzido no cinema resultar de fenômenos retinianos. Mustemberg acreditava que tudo acontecia na fase neural do processo de percepção visual. A crença de Mustemberg estava correta. É desta percepção ampliada ao modo coletivo de processos neurais que falam os 7 Mares, de Tinho. Um tecido biodinâmico liga o espaço real às redes neurais coletivas, de indivíduo a indivíduo, de modo direto, através de relações antropológicas em comum. Liga quem leu, viu, ouviu, percebeu, vestiu, vivenciou e percorreu os espaços da vida através de uma determinada cultura e seus objetos, que hoje vêm sendo substituídos pelas redes digitais, como, por exemplo, os livros e skates que contêm uma filosofia da mobilidade à parte.

Quem vê as pinturas de Tinho ativa a própria memória sobre aquilo que vê, amplia no mundo imediato a celebração de um universo da cultura material e dos costumes que integram diversas gerações. E que, vistas como ele pintou, recriam a força destas memórias culturais no presente. As pinturas de Tinho são, ao mesmo tempo, a descrição e a vida do tempo e do espaço e das relações, do limite entre culturas e mídias - por exemplo, livro e literatura, discos e sonoridade. São obras que elevam o ver para o estado de sentido e consciência.

Não podia se esperar menos de um artista que, além de dominar a pintura tanto em termos realistas como abstratos, possui a experiência da rua, o domínio sintático e simbólico do universo da arte e do graffiti como circulação real da cultura contemporânea e seus objetos além da imaterialidade em diversas cidades do mundo. Fenômenos da nação global, que espelham, no minuto digital, milhões de anos de vida do espaço real e topológico.

Ver a pintura de Tinho é levar a pintura para o lado de fora da pintura, como se não houvesse mais separação entre arte e realidade. Tinho simplesmente chegou ao lugar da obra em que arte é vida e vida é obra, sem distinguir o que ele viu daquilo que nós vemos. Ver sua obra é descobrir o oitavo mar, é perceber aquilo que nos liga diante de tudo o que ele percebeu, criando uma série única, rara e singular da pintura recente, na qual estamos — ele como artista e nós enquanto parte vida de sua própria obra - rompendo a mera espectatorialidade.

Realidade aumentada para o lado de dentro e de fora, simultaneamente. O modo de ver de um artista atual, que não separa realidade natural e realidade abstrata, e possibilita dizer que chegamos às bases da pintura do século XXI em busca das paisagens interativas e antropológicas.

Ao mesmo tempo que deixa o século XX para trás, esta arte nova, derivada diretamente das passagens urbanas, amplia nossas chances cognitivas no mundo real, onde a pintura funciona como “lugar de encontro”, contrapondo as redes digitais na sua característica de realidade abstrata. Luz, e não sombra da nossa própria existência, esta mostra possui o caráter singular e transgressivo da linha do horizonte encontrada por Manet, horizonte muitas vezes transcendido pela Street Art que, como se vê através das obras de Tinho, fez a pintura reencontrar-se com a pintura, enquanto navegamos nosso olhar na composição dos 7 Mares. Gens trouvé além do objet trouvé. Arte encontrada além da arte. Arte sem fronteiras conceituais, imaginárias e dialógicas. Um quadro semelhante e semelhantes livres.

Saulo di Tarso

curador

SERVIÇO

Abertura: 28.11.19 - 18h30

Exposição: 29.11.9 - 16.02.20

Paço Imperial - Salas Gomes Freire e 13 de Maio

FICHA TÉCNICA

Realização: Movimento Arte Contemporânea e Paço Imperial

Curadoria: Saulo di Tarso

Produção: Movimento Arte Contemporânea

Assessoria de imprensa: Mônica Villela

Iluminação: Antônio Mendel

Designer gráfico: André Arruda Fabro (Moiré Art)

Produção e edição audiovisual: Joana Kfuri e Marcos Salamonde

Câmera: Marcos Salamonde

Fotógrafo: Bruno Ryfer

Transporte de obras: Atlantis Fine Arts

Seguradora: Affinité

Revisão de texto: Marcos Mauro Rodrigues

Tradução: Samuel Graças

Impressão gráfica: Ginga Design e Tesouro Laser

Banner: Studio Alfa

Galeria Movimento Arte Contemporânea

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