ARTHUR ARNOLD

estado de sítio

agosto/2014

Estado de Sítio e o instrumento através do qual o Chefe de Estado suspende temporariamente os direitos e as garantias dos cidadãos, os poderes legislativo e judiciário são submetidos ao executivo, tudo como medida de defesa da ordem pública. Para a decretação do estado de sítio, o Chefe de Estado, após ouvir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, submete o decreto ao Congresso Nacional a fim de efetivá-lo. A tomada dessa decisão pode ser decretada com o prazo máximo de 30 (trinta) dias, salvo nos casos de guerra, pois ela poderá acompanhar o período de duração da guerra. Ela também pode ser decretada em casos extremos de grave ameaça a ordem constitucional democrática ou de calamidade pública. (Arts. 137 a 141 da CF).

Não estaríamos vivendo em um Estado de Sítio? 

Esta é a pergunta que nos acompanha desde as manifestações de junho de 2013 até os dias de hoje, período em que protestar parece ter se tornado crime. A polícia é coercitiva, os manifestantes são tratados como vândalos e o Poder de Polícia alega “estado de exceção” para burlar a constituição.

É sobre este cenário que Arthur Arnold apresenta a exposição Estado de Sitio, pronunciando-se com imagens de protesto, violência, desigualdade, discriminação, abuso de poder, mutações simbólicas, opressão e criminalidade. Trata-se de uma mostra de pintura e sobre pintura, de um artista que vive e trabalha no mesmo contexto de suas imagens. Reflexo direto das ruas do Rio de Janeiro, cidade maravilhosa sede da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas de 2016, ou melhor, cidade do turismo sexual, do superfaturamento das obras públicas, da desapropriação de favelas, dos manifestantes presos por formação de quadrilha, em um pais emergente, subdesenvolvido, marcado pela corrupção, má administração política e de interesses unilaterais. 

Arnold nos apresenta uma produção que explora com intensidade tanto as camadas políticas como pictóricas da arte. São pinturas que incitam o espectador a refletir sobre aquilo que muitos preferem “fechar os olhos”. Trabalhos que conquistam o espectador através de sua excelência formal (composição, cor e gesto), para então incitar a uma meditação conceitual e brutal do que é visto dentro e fora da galeria de arte.

Há uma relação direta entre o que o artista vive, pinta e apresenta. Sua pesquisa começa na rua, observando o espaço público em busca de modelos vivos, de objetos, luz e arquitetura. Assuntos que em um segundo momento são transpostos para a tela, ora em tinta acrílica e ora em tinta a óleo, como colagens mentais que vão sobrepondo imagens uma após a outra até atingirem o limite entre a ficção e a realidade. Pois se vivemos no linear de estar ou não em um Estado de Sitio, essa ambivalência segue latente na exposição. 

 

Paula Borghi

curadora

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