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POVO INSONIA

Museu da Chácara do Céu Rio de Janeiro | setembro/2017 - fevereiro/2018

IDENTIDADE INSÔNIA

No início era mais outro personagem de Toz: o Rei Insônia, figura da noite nascida das inquietações do pintor que naquele momento perambulava com coração desassossegado pelo cenário urbano noturno. Desse marco zero foi gerado um povo inteiro, criaturas sem face cujos olhos de vigília tomaram obsessivamente o universo do artista.

A inspiração torna-se então exigente a ponto de demandar a corporificação da própria materialidade. Os personagens saem das telas para ganhar a tridimensionalidade dos corpos emprestados dos manequins. E mais: recebem um passado com história a ser contada, tradições, mitos, ritos. E ainda mais: recebem um tempo presente no qual partindo do povo começam a se delinear indivíduos possuidores, agora, de genealogia, ocupação, relações sociais e familiares. Logo os Insônia passam a demandar também um espaço de habitação próprio, vindo a ocupar um museu-casa.

A construção desse presente manifesta-se como um processo de individualização compreensivo o suficiente para supor até mesmo as lembranças do passado. Nesse sentido, o mais surpreendente são as intervenções nas fotografias, criando os álbuns de família dos Insônia a partir da apropriação do corpo e das reminiscências de seres humanos. 

Das origens postas numa África imaginada, às histórias de família arquitetadas sobre uma memória canibalizada, o processo de adensamento progressivo do objeto efetuado por Toz é um itinerário de busca de identidade com escopo da etnografia à psique.

No âmbito da obra do pintor, percebe-se no Povo Insônia um caminho distinto do enfrentado com os personagens-amigos imaginários anteriores. O artista que veio da rua atravessou para a galeria de arte e desta para o museu, realiza com os Insônia um percurso que propõe a discussão de um universo mais abrangente, calcado nas questões da identidade nacional.

E, assim como as tradições de raiz africana povoam as referências constitutivas do Povo, também as obras icônicas de nossa história da arte evocam sua presença, como quando os Insônia posam hieraticamente tal como as moças de Guaratinguetá de Di Cavalcanti, os operários de Tarsila do Amaral ou, mais especialmente, como as famílias  humildes de Guignard.

Não é fortuito, portanto, que a casa ocupada pelo Povo Insônia tenha sido um museu, local que, por excelência, celebra a preservação da arte e cultura daqueles que vivem em comunidade.

Anna Paola Baptista

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