t i n h o

reflexão

maio/2014

 A arte é nada mais que a arte!

 Ela é a grande possibilitadora da vida,

a grande aliciadora da vida,

o grande estimulante da vida.

Friedrich Nietzsche

Walter Tada Nomura, o TINHO, abriu os olhos pela primeira vez na grande São Paulo, cidade que aos poucos foi desvendando, percorrendo, identificando. Ali aprendeu a ler e escrever inscrevendo seu nome nos muros, deixando sua marca nas ruelas e becos, buscando uma nova estética.  Despontava a década de 90 e TINHO já pintava livremente experimentando novas técnicas, novos suportes, outros materiais para melhor expressar a relação do homem com o ambiente das cidades altamente urbanizadas. Observando, enquanto flanava pelas grandes metrópoles do mundo, o artista procurava, nos emaranhados, o indivíduo. No caos, a essência. Nos efeitos, a causa.  As questões sociais, econômicas e urbanas foram sempre seu objeto de pesquisa. Suas pinturas despertam o pensar.

 

Procuram estabelecer uma comunicação com o espectador de forma a levantar e discutir questões contemporâneas do cotidiano. Dessa necessidade surgiram os personagens, tão emblemáticos em sua arte. Crianças interiores, tristes e sombrias, que trazem no olhar as marcas da sociedade em que vivem. Sua solidão reflete todos os problemas a que estão expostas diariamente e falam mais do que mil palavras. Os bonecos de retalhos transmitem uma ternura ancestral. São feitos de restos, mas recheados de carinho. São objetos de amor suprindo a carência. Bastante freqüente também, em sua obra, é a temática dos automóveis batidos. Pesadelos geraram imagens que falam de uma viagem interrompida. Uma forma de censura que impede de chegar ao objetivo final.

 

Embora tenha a pintura como principal linguagem, TINHO também fotografa, cria objetos tridimensionais, monta instalações, faz colagens, performances, site-specifics... enfim, transforma em arte aquilo que encontra pelos lugares por onde circula.  Em seu trabalho, a vida urbana, os problemas sociais e políticos são questões que se relacionam de forma estética e conceitual. Suas telas e graffitis muito contribuíram para o reconhecimento do Brasil como um dos principais produtores de arte urbana. Ao se apropriar do que foi refugado, do que pertence a todos e a ninguém, TINHO cria esse delicado jogo entre encenação e realidade. Faz nada mais que arte, recriando continuamente o mundo!

 

Isabel Sanson Portella
doutora em História e Crítica da Arte 

Galeria Movimento Arte Contemporânea

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