MARCOS ROBERTO

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Bauru, SP - 1989

Vive e trabalha em São Paulo

Natural de Bauru - SP, 31 anos, Marcos Roberto mudou-se para a capital em 2013 para cursar artes visuais na Faculdade Paulista de Artes (FPA).

Desde seu retorno para o interior paulista em 2017, vem utilizando como base para a elaboração de suas obras, materiais que são habitualmente descartados. Imerso no âmbito da reciclagem e valorizando os inúmeros recursos locais advindos da mesma, utiliza em suas obras o metal, papelão, madeira e concreto.

Auto declarado “artista ativista e antirracista”, tem em suas obras uma crítica política e social explícita. Sua arte incomoda, provoca e instiga, através da reflexão sobre as mazelas da sociedade e a procura pela visibilidade das minorias, como se reflete em sua mais recente série “Cotidiano”, onde usa como matéria base e como alerta, as placas de sinalização de trânsito.

 

obras

SÉRIE: COTIDIANO

Na série Cotidiano, as placas de trânsito se estruturam a partir do mesmo princípio. Os corpos que vemos parecem flutuar, contrastando com a superfície das placas e suas orientações diretas, enfatizando a atmosfera solitária. É possível perceber que as indicações de quilometragem permitida se remetem sempre a baixas velocidades: 10km, 20km, 30km, ou mesmo PARE.

Durante o período que se mudou para São Paulo para estudar arte, Marcos morava no centro da cidade e caminhava muito pelas redondezas. Lá, além das memórias desses corpos e cenas, ficou também a percepção que as placas de trânsito sempre traziam indicações de velocidades baixas para a circulação dos carros. Essa indicação de desaceleração, se pensada para os nossos corpos, entre outras possibilidades, é quase como um lembrete para olharmos em volta e vermos o que a velocidade do fluxo urbano acaba tornando invisível.

Em obras mais recentes da série Cotidiano, outros corpos começam a povoar essas placas – não só circulares, mas também retangulares, indicando originalmente caminhos e direções pelas ruas da cidade. Eles deixam de se apresentar tão vulneráveis, para assumir uma posição de resistência e força, olhando os espectadores direto nos olhos. Diferente do que vemos nos Operários (1933) de Tarsila do Amaral (uma referência para esses trabalhos) há uma atitude ativa nessas figuras, com uma reivindicação de presença e visibilidade coletiva, com homens e mulheres colocados lado a lado. Misturados, mas individualizados.

SÉRIE EU SOU NEGRA, A FOME É AMARELA E DÓI MUITO

Nesta série Marcos Roberto parte de um diálogo com a escritora e poetisa Carolina Maria de Jesus. “A cor da fome é amarela”, escreveu ela, explicando que quando o limite da fome passa do suportável, as coisas do mundo ficam em um tom só, amarelado. Aqui, os pratos de metal esmaltado têm seu fundo pintado de amarelo. Sobre ele, vemos corpos fragilizados, em situação de vulnerabilidade, alguns pedindo ajuda, outros mais apáticos. Há uma atmosfera de isolamento nessas imagens, não só pelas situações às quais elas nos remetem, mas também porque essas cenas não trazem um cenário. É nesse fundo amarelo que tudo acontece. E essa é uma escolha de Marcos Roberto: evidenciar o prato como parte do trabalho e também a presença dessas pessoas e das situações em que se encontram – normalmente camufladas pelo cenário onde estão e pelo que acontece ao redor delas.

 

exposições