ARTHUR ARNOLD

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Rio de Janeiro, RJ - 1984

Vive e trabalha em São Paulo

Arthur questiona o papel social da pintura enquanto objeto de consumo e de transferência de status. Através de humor e sarcasmo, a figura do opressor tem o seu poder invalidado em narrativas visuais. Com o uso de metáforas visuais o artista aborda tais questões de forma indireta, gerando uma interpretação aberta para as pinturas. O absurdo, que é o que ninguém espera, mas que acaba acontecendo, é usado frequentemente como recurso estético em suas pinturas.

​Sua nova fase aborda o fenômeno das massas. Arthur se interessa pela identidade de grupo que dilui a individualidade, pelo comportamento do homem que se reúne em multidões por motivos diversos formando um gigantesco bloco com um comportamento único. Com espatuladas empastadas, raspadas e algumas pinceladas pontuais Arthur transforma indivíduos em tinta.

 

obras

SÉRIE: MASSAS HUMANAS

Em minhas pinturas retrato a paisagem humana formada por multidões. Por meio de uma pintura gestual, distorço e desfiguro características individuais para criar a sensação da massa humana. Para tal, uso grandes quantidades de tinta a óleo, moldando camadas espessas, muitas vezes com alguns centímetros de espessura.

Não quero discutir as motivações específicas de cada massa, mas o que acontece com o indivíduo quando está inserido em seu contexto. Quero pensar sobre o porquê de nos deixarmos ser absorvidos por suas identidades de grupo, sejam elas quais forem. A experiência da massa é libertadora. Ela nos livra momentaneamente do peso de nossos egos. Com meu trabalho trago uma reflexão ao público sobre os perigos e belezas que há nisso.

SÉRIE: FOGO

 

Por trás de uma fogueira o observador olha uma multidão. Nada indica a ele em que época está. O que vemos poderia ser algum tipo de ritual ou simplesmente pessoas se aquecendo. Seus corpos emergem em tons avermelhados e alaranjados. É uma imagem ancestral, de seres, nós, que dificilmente sobreviveríamos sozinhos na natureza.

O fogo nos une e nos iguala. Conhecemos o efeito mágico que ele exerce individualmente e a atração que gera nas massas, seja numa fogueira ou num incêndio. Como uma multidão, ele quer crescer e consumir com voracidade tudo o que encontra. Fala-se em alimentar e extinguir o fogo, como se ele fosse uma massa viva.

Em “Fogo”, o calor radiante e emanado se reflete em corpos reunidos em seu entorno. Desde seu domínio, ele nos acompanha e encontra na massa o seu espelho, sendo um símbolo da mesma. Como uma multidão, o fogo, tem a capacidade de construir ou de destruir, dependendo da forma como é manipulado. 

Uso vários tempos narrativos com cenas dentro de cenas, deixando a leitura final aberta ao expectador. Para isso utilizo o absurdo com recurso estético para gerar estranhamento. Em partes da pintura, como no fundo, chego quase a uma abstração para  reforçar o realismo das cenas, muitas vezes baseadas em fatos reais ou históricos. Com sarcasmo, humor, perversidade e falsa inocência uso a pintura para desacatar valores e éticas em parte da sociedade e do poder estabelecido, e destroná-los. Não quero mudar o mundo, só quero mudar pessoas.  ARTHUR ARNOLD

 

exposições

 

vídeos